Um anti-monarquico contou-me uma vez esta historia e eu, concordando ou não com ela, achei tão engraçada que não resisto a contá-la aqui.
Era uma vez.. há muitos muitos anos Dom Afonso Henriques. Logo no inicio da nacionalidade o nosso primeiro rei não tinha corte e então resolveu nomear como sua nobreza todos os seus amigos. É a chamada nobreza de sangue.
Os cavaleiros que tinham andado na guerra pela nacionalidade ficaram furiosos e foram ter com o rei para se queixarem
- Então nós que andámos na guerra a chafurdar na porcaria, a conquistar Portugal para ti não temos direito a nada e os teus amigos é que são nobres?
Dom Afonso Henriques que não queria confusões nem revioltosos nomeou esses cavaleiros que andaram na guerra a chafurdar na porcaria nobres também. É a chamada nobreza da porcaria.
Estas duas nobrezas foram fazendo descendentes mas nunca se misturaram, mantendo Portugal dois tipos de nobreza: a de sangue e a da porcaria. Até D. Sebastião!!
O D. Sebastião que toda a gente sabe era um snob envolveu-se na guerra contra os mouros e levou para Alcácer Quibir apenas a nobreza de sangue. Morreram lá todos!
Por isso hoje Portugal só tem descendentes da outra nobreza :) a da porcaria.
Vivemos numa sociedade competitiva. Desde pequenos assimilamos a ideia de que, se não formos bonitos, inteligentes, ricos, simpáticos, nunca teremos sucesso na vida. O professor sente-se orgulhoso ao apresentar o melhor aluno da turma, o treinador gloria-se do mais forte dos seus atletas; mas todos sabemos que uma mãe faz exactamente o contrário: se tiver dois filhos, dará maior atenção, mais cuidados e maior amor ao que for mais fraco e mais doente.O discipulo de Cristo é aquele que , como o Mestre, se inclina e abraça primeiro o mais fraco.
"Tinha o rosto e palavras de homem" Fernando Armellini, Giuseppe Moreti.
Agora é facil acreditar que a Internet é a maior tecnologia de todos os tempos. O dificil era há 15 anos atrás conseguir prever essa situação. Agora continua a ser fácil prognosticar que os Tablets desatronarão os livros. O dificil era há 5 anos atrás. Mas eu que acreditei na Internet há 15 anos atrás começo a parecer-me com um velho do Restelo ao não acreditar nesta última possibilidade. Acredito que os tablets acabem de entrerrar as revistas e jornais em papel mas não acredito que matem os livros. Os nossos queridos livros. Começando pelo fim não há maior prazer que acaber um livro. Chegar à última página, fecha-lo e coloca-lo na estante dos livros outra vez. Esse prazer não existe nos tablets. Depois o cheiro a papel, o folhear antes de completar a leitura, o volume do livro na minha mão, uns mais finos outros mais grossos, ir a uma livraria ou biblioteca e ver os livros expostos, organizados, só ver, apreciar os varios materiais de que são feitas as capas e passar a mão por cima, como quem acaricia... Mais do que ter esta exposição permite desejar, desejar todos os livros do mundo, "o desejo faz todas as coisas florescerem, a posse fá-las murchar" como dizia Proust. Ler um livro através de um tablet é como fazer sexo sem amor, pode até pagar-se essa necessidade mas não se compara ao sexo com amor. Assim é ler um livro através do objecto livro. Enquanto houver quem deseje livros e amantes do livro/objecto como eu os livros não vão acabar. Este é o meu vaticinio.
No edificio Cirilo fui viver após a maternidade. De tal maneira o meu pai de tratava bem que ainda hoje o edificio é referenciado pela sua bela arquitectura. Inaugurado em 1958 foi em 1961 que o fui habitar. "O grande trabalho do arquitecto Vasco Vieira da Costa, em sociedade com Pereira da Costa foi o edifício Cirilo, construído na baixa de Luanda, na Rua hoje Major Kanhangulo, inaugurado em 1958, que é ainda hoje um grande trabalho, no quadro de um determinado período da arquitectura na África colonial", diz Fernando Pereira no seu Blog "Recordaçoes da Casa Amarela"
Casinha Branca
Maria Bethânia
Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde prá plantar e prá colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer
Às vezes saio a caminhar pela cidade
Procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão
O que te peço, Senhor, é a graça de ser.
Não te peço mapas, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados,
com suas surpresas, suas mudanças, sua beleza.
Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida.
Não te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta,
mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo
Como uma nova oportunidade.
Afasta de mim as palavras
Que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
Sei que posso ser, ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor:
A graça de ser de novo.
José Tolentino Mendonça (Pe, poeta, actor, autor, etc)
"Aqui estou eu: filosofia,
Medicina e Jurisprudência,
E para meu mal até Teologia
Estudei a fundo, com paciência.
E reconheço, pobre diabo,
Que sei o mesmo, ao fim e ao cabo!
Chamam-me Mestre, Doutor, sei lá quê,
E há dez anos que o mundo me vê
Levando, atrás de mim a eito
Fiéis discípulos a torto e a direito
E afinal vejo: nosso saber é nada"
Fausto, Goethe
Já ouviram a história do tipo que caiu de um arranha-céus abaixo?...
À medida que passava por cada andar, dizia para os seus botões, para se tranquilizar:
"até aqui, tudo bem.. até aqui, tudo bem.."
Não importa como cais, mas como aterras."
"Vou para o Futuro como para um exame difícil; Se o comboio nunca chegasse e Deus tivesse pena de mim?... Partir! Nunca voltarei, porque nunca se volta; o lugar a que se volta é sempre outro".
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