Sábado, 21 de Novembro de 2009

Passava a vida no café. Ou melhor o café era a sua casa. Por isso toda a gente lá do sitio o conhecia há muitos anos.

Em todas as terras há uma personagem assim. O Toy não era diferente. Vivia da caridade alheia e da paciência do povo da terra. Sobre ele se especulava a mais mirabolante das histórias. Que já fora muito rico e inteligente. Que teve mulher e filhos. Casas e terras para além do Atlântico, na América! 

 

E o Toy fazia questão de alimentar essa versão dos factos. Contava que ainda cedo os avós tinham emigrado para a América em busca do ouro que se dizia cobria as terras do Oeste selvagem. O ano já não se lembrava ao certo mas sabia que tinha sido ainda no tempo dos cow boys.

Passava horas intermináveis a falar das lutas que os avós tinham travado contra os indios, os sioux e os cheyennes. Quando lhe perguntavam exactamente em que região da América escondia-se na poeira da memória e no desinteresse da localização.

Já não se lembra do nome dos lugares nem dos rios, nem das pessoas, ja nem sequer sabe palavras em inglês mas lembra-se das histórias que o pai lhe contava, a história das lutas dos avós no Novo Mundo e velho Oeste. E lembra-se de como falava do ouro a jorrar da terra como hoje jorra o petróleo e dos campos cobertos de pó dourado e prateado.

 

Para a posteridade o seu avó ficou conhecido como John Azores, e o seu pai Little Joe, como na Bonanza.

A mãe era filha da terra, uma india soberba, daquelas que vestiam peles de animais viradas ao contrário. Foi feita prisioneira numa das batalhas travadas e o seu pai apaixonou-se por ela. Viveram um grande amor, um amor proibido, tiveram que fugir e levados pelo vento, gone wiht the wind, correram todos os cantos desse imenso continente. E desse imenso amor desse imenso continente donde jorrava o ouro nasceu ele, o Toy, Antony para os americanos.

 

Viveram em muitos lugares mas aquele de que se lembra era muito perto do mar e por isso fez-se marinheiro. Cruzou todos os oceanos em busca de baleias para voltar sempre à America. De promoção em promoção foi promovido a capitão e dirigiu o seu próprio navio.

Tinha "uma casa na pradaria" e a sua mulher era um belo exemplar da terra de todos os sonhos. Três belos filhos preencheram-lhe a vida e encheram-lhe a alma. E ele sempre a navegar.

A sua paixão pela familia era tão grande que um dia levou-os consigo para cruzar os oceanos sem fim e conhecer a terra dos seus avós. Mas há dias assim... Levantou-se o vento e o mar. O navio não resistiu e naufragou. Nunca mais viu a sua mulher e filhos. Não sabe se alguém sobreviveu para além dele. Conta que naufragou na costa dos Açores. Que o mar que o levou o trouxe de novo ao lugar de origem.

 

Este é o resumo das histórias que conta, mais indio menos indio, mais ouro menos prata mais coisa menos coisa. 

 

 

 

Por isso aqui na terra, aqui na tasca que agora faz parte da sua vida toda a gente o conhece por Capitão, e dado o lugar de origem Capitão América.

Tal como o Super Heroi ajuda todos os que entram na taberba a alimentar os seus sonhos ou a afogá-los nos copos que bebem e como recompensa e agradecimento todos pagam um copo ao Toy, Antony, ao seu Capitão América. Ele em troca mostra-lhes como era a terra dos sonhos e fá-los sonhar com tesouros escondidos.

 

Obrigam-no a vezes sem conta contar a primeira vez que viu a Estátua. Imponente , grande, verde, livre e esmagadora. Lembra-se dessa última viagem e de ver a estátua da Liberdade. O nosso capitão América, na proa do seu Titanic de braço dado com a sua mulher e filhos americanos. E a estátua ali, impávida, agradecida, soberana. E eles de olhos pregados no seu Capitão que lhes abre os horizontes e os faz viajar sem sairem do mesmo lugar.

 

Ninguém quer saber se a história do nosso Super heroi é verdadeira ou falsa desde que a conte até ao fim. 

 

 Mike Esparza

 



publicado por baldino às 21:01 | link do post | comentar

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