Domingo, 16 de Maio de 2010

Ontem voltei ao Magoito. Fui almoçar ao restaurante do meu amigo Cazé. O velho Almofariz. O vento , o frio, a humidade, o cheiro a pinho. O Magoito dos sentidos está igual.  O outro Magoito, o Magoito da construção é uma vergonha que temos que esquecer. Doi-me o nariz de tanto fungar. E recordo as idas a praia, para baixo e para cima. A carreira só passa de hora a hora e por isso vamos a pé. A tia Vanda não quer esperar, vamos a pé. Passamos pelo Portelinha e avançamos para a curva da morte, a casa do Chucu, a lembrar velhas resistências. Antes já passáramos pela Mongoa, nome de guerra, primeira grande guerra, velha batalha da marinha em terra seca, interior de angola. Em frente a casa do Ruizinho. Na Mongoa, por baixo do telheiro, um gira discos tocava os grandes "slows" que, num mundo sem sms, nos permitiam perceber se a miuda estava ou não afim. A praia tinha o Zé Maria dos bolos e gelava os pés.

 

Restaurante Almofariz no Magoito

 

E o Pereira da Silva? Uaau a volta do Pereira era a volta nocturna mais famosa das redondezas. Uma hora de caminho com paragens na "chinchada". Também havia o Rio da Mata, que será feito do Rio que desaguava na praia? O caminho do Rio da Mata era uma conquista, um oeste selvagem , um cheiro a aventura. No Rio da Mata havia nomes que eram poemas como o do "pinhal alcatifado".

 

Magoito antes da destruição era um mar de pinhais. Também tinha as arribas. Era precisamente ali que acabava o nosso mundo. A fronteira era a casa do primo Tójó, depois disso as arribas, um pinhal de areia branca onde as perdizes se viam no inverno e depois as arribas, o mar, sempre carregado de "cordeiros" brancos, vento , o vento.

 

Passávamos 3 meses seguidos em Magoito, e para entreter jogávamos à lerpa em casa do "Orelhas". Os mais profissionais eram os Soeiros, o Carlos e o Rui.

Casa dos Soeiros em MAgoito

 

E o meu grande amigo era o Zézé dos Porcos, o homem do casal dos bacorinhos. imbativel no que toca as miudas o grande Zézé!! Iamos e vinhamos dos Plátanos em Sintra e traziamos as namoradas sentadas nas motorizadas. Depois a casa do Zézé, grande, de piscina, fazia o resto. Meu Deus!! Como fomos felizes em todos esses anos.

Também havia os bailes. Gente da cidade que adorava os bailes da aldeia. Conjuntos famosos, verdadeiros beatles de encomenda, como o Academico e os Laranja mecânica. E havia bailes em quase todo o lado: Varzea, Tojeira, Arneiro, Terrugem, Praia das maças, Fontanelas... grandes atracções nacionais como as Doce e o José Cid faziam o resto. E não se pode falar da Praia das Maças sem falar do Maria Bolachas. A discoteca mais famosas la do sitio.

 

A gazolina metia-se em Sao Joao das Lampas, a terra das Galuchos.  Bons partidos com quem sonhávamos casar.

As motas eram a nossa loucura, corriamos desenfreados até ao Bibió na Praia das Maças. Na recta de Janas tirava-se a prova dos nove, o quanto andava realmente a nossa máquina. E havia o Carlos que tinha uma Honda 250 e o Jorge com uma Kawa 500, o resto eram so motorizadas, V5, hondas 50, gileras, zundap, Casal. A Ligia tinha uma Casal K 128 :) A João uma Casal Boss e o Fino uma Yamaha RD 50 a primeira motorizada com travão de disco à frente!!

O pão quente comprava-se no Largo da Quitas e o café de eleição era o do Senhor Lé entregue ao seu filho Toninho que também tinha a casa de jogos. Dias inteiros na casa de jogos a jogar Flipers e bilhar. Ainda havia os dias dedicados a apanhar caracois, colher amoras, abrunhos, mirtilos,  chupar azedas e pescar bogas. O Magoito era o nosso mundo, um mundo de felicidade.



publicado por baldino às 22:08 | link do post | comentar

5 comentários:
De Anónimo a 17 de Maio de 2010 às 00:02
http://www.peticao.com.pt/arvores-de-sintra


De Anónimo a 19 de Novembro de 2014 às 12:11
Olá bom dia.

Gostava de saber quem és tu. Pois eu também estive em Magoito desde que nasci. Sai de lá quando tinha 19 anos. Mas voltei à muito pouco tempo.
O meu Magoito que nunca me saiu das minhas memórias e dos meus sonhos.
Magoito dos cheiros e luz, do vento especial, dos velhos tempos, da praia onde aprendi a nadar (com o Manecas), da minha casa onde cresci, do meu mundo de criança e adolescente e onde fui tão mais feliz.....
Tempos que não voltam mais.
Magoito que já não tem nada a ver com o nosso tempo...a minha casa, as pessoas, as casas, os caminhos, .o LÉ, tudo. MAS EU VOLTEI.....ao fim de 37 anos.

Não sei se és da minha altura do meu Magoito??!! mas gostava de saber pois aquilo que escreves tem muito a ver com o meu tempo. Mas como não mencionas-te a minha casa, não sei??!!

Eu sou a Ana do Pinhal. A minha casa era a dos grandes pinheiros na recta do pinhal e em frente ao Tixo...casa construída pelo meu bisavô, no ano de 1930.

Fico à espera que me digas alguma coisa, pois gostava muito de saber quem és.

Um beijinho Ana do Pinhal




De Paulo a 27 de Outubro de 2011 às 09:11
Dei com o teu blog por mero acaso.Tivemos as mesmas vivencias e provalvelmente já nos cruzamos. Identifiquei-me com as mesmas pessoas, locais e com momentos que o Magoito nos proporcionou. De facto o Magoito era mesmo o nosso Mundo . A idade e as pessoas eram tambem naquele tempo outras mas não deixaram de ser para mim tambem o mundo da felicidade que evocas.


De baldino a 27 de Outubro de 2011 às 10:56
Paulo qual o te apelido?


De paulo fernandes a 28 de Outubro de 2011 às 12:20
Já visualizei a sua fotografia no Blog mas não consigo identificar a sua pessoa nas relações pessoais que tive no Magoito apesar de ter algumas das amizades em comum. Eu tenho 47 anos e tive casa no Magoito desde os 2 Meses de idade até 2006, portanto foram praticamente 42 anos a frequentar esse local. Morava numa vivenda germinada em frente ao "GRILO" perto do Almofariz. Abraço - Paulo Fernandes


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